Os reis do Bolo-Rei em Lisboa


Roteiro


O Natal quer-se com tradição. E quando se fala em tradição, o Bolo-Rei, em forma de coroa, recheado com frutas cristalizadas e frutos secos, não pode faltar na mesa de consoada de qualquer casa portuguesa.

Seguindo uma receita originária do sul de Loire, esta iguaria natalícia popularizou-se em Portugal no século XIX. Ao longo do tempo a receita original foi ganhando novas variações, como o Bolo Rainha – sem frutas cristalizadas – ou o Bolo Rei de chocolate. Mas, na receita original, ou com novos sabores, a verdade é que não há mudança que nos tire o Bolo Rei das mesas festivas!



Confeitaria Nacional

Baixa

No largo paralelo ao Rossio, instalada numa das esquinas da Praça da Figueira, ergue-se graciosamente a Confeitaria Nacional, a mais antiga da baixa lisboeta. Fundada em 1829 por Balthazar Roiz Castanheiro, foi eleita uma das melhores e mais antigas casas de doces da Europa pela CNN. Aqui nasceu, há mais de 180 anos, o tradicional e natalício Bolo Rei, que mantém secreta a sua receita até aos nossos tempos.

Decorria o ano de 1875, quando Balthazar Júnior, filho do fundador e na altura gerente do negócio, descobriu, numa visita a Toulouse, o tão aclamado Bolo Rei. Fascinado pela iguaria, contratou alguns confeiteiros para virem a Portugal fazer este doce na fábrica da Confeitaria Nacional, então situada na rua do Duque. Até hoje a receita mantém-se em segredo, sendo apenas conhecida pelo proprietário e pelo chefe pasteleiro.

Alcôa

Chiado

Os doces conventuais recheados de ovos moles são os protagonistas da Alcôa. Mas durante a quadra natalícia, quem passa pelas montras desta pastelaria na Rua Garret não resiste a se debruçar para olhar mais de perto para as iguarias expostas. Ao lado das famosas cornucópias, dos mimos de freira, dos torrões reais, dos queijinhos do céu e das castanhas de ovos, o Bolo Rei ganha um lugar de destaque, acompanhado pelo Bolo-Rainha e pelo Bolo Recheado. Pode escolher provar uma fatia na hora, ou levar um (ou dois, ou três) inteiro para a mesa de consoada.

Os doces desta famosa pastelaria de Alcobaça seguem as antigas receitas tradicionais dos Monges de Cister de Alcobaça. Cada um tem as suas particularidades, mas as bases estão lá sempre: os pontos e as caldas de açúcar perfeitas, feitas em tachos de cobre, como dita a tradição conventual.

Pastelaria Versailles

Avenidas Novas

Tem o nome do requintado palácio francês e o seu interior parece uma sala saída deste. Fundada em 1992, a Pastelaria Versailles é um espaço icónico das Avenidas Novas exibindo, no seu interior, monumentais espelhos nas paredes e tetos trabalhados ao pormenor. A art nouveau define o ambiente ao estilo de um verdadeiro clássico café europeu. Na Versailles, o simples ato de beber café raramente é solitário. Por perto terá sempre uma das pastelarias mais refinadas e variadas de Lisboa a sorrir-lhe pela vitrina.

Quem lhe sorri também são os vários bolos expostos nas montras envidraçadas. Entre os muitos doces adorados pelos lisboetas, o Bolo Rei da Versailles, que em 1933 já era notícia nos jornais, destaca-se. Décadas depois a tradição mantém-se e as frutas cristalizadas e o açúcar em pó continuam a fazer parte da receita deste que é um dos Bolos Rei mais procurados de Lisboa.

O Careca

Belém e Restelo

A Pastelaria Restelo, mais conhecida como "O Careca", foi fundada em 1954 no Bairro do Restelo, tendo-se tornado num dos marcos mais emblemáticos desta zona. Quem lá vive faz da esplanada desta pastelaria ponto de encontro para deliciosos pequenos-almoços, ou para longas pausas nas tardes de fim-de-semana. Mas a fama ultrapassa as fronteiras do bairro e hoje em dia é raro encontrar alguém que nunca tenha comido um croissant ou um palmiere d´O Careca, ou que não tenha ouvido falar destas iguarias.

Mas nesta quadra, os famosos croissants e palmieres ganham um concorrente à altura: o Bolo Rei. A receita já tem mais de 5 décadas e há quem diga que o segredo é a aposta maior nos frutos secos e menor na fruta cristalizada.

Gleba

Alcântara

Macio, leve e com sabores marcantes: casca de laranja confitada, raspas de limão, passas e figos macerados em vinho do Porto e frutos secos em abundância, o Bolo Rei da Gleba, que se estreou no ano passado e fez as delícias dos portugueses, está de regresso às montras da padaria, conhecida por utilizar ingredientes de origem nacional e preferir os processos artesanais de confecção.

Com 100% de fermentação natural, esta especialidade da Gleba demora mais de 36 horas a fazer e distingue-se pela sua leveza e sabor aromático. A longa fermentação natural não só influencia no sabor e textura da massa e aumenta a sua capacidade de conservação, como ainda torna o Bolo Rei mais saudável e fácil de digerível.

Pode encontrar esta iguaria em qualquer uma das lojas Gleba espalhadas pelos vários bairros de Lisboa: Alcântara, Alvalade, Avenidas Novas e Campo de Ourique.

Aloma

Campo de Ourique e Amoreiras

Com mais de sete décadas de história em Campo de Ourique, a Aloma, tem aquele que foi várias vezes eleito o melhor pastel de Nata de Lisboa e é considerada uma das referências na doçaria da cidade. Aberta desde 1943, a Aloma é uma das pastelarias lisboetas com maior variedade de Bolo Rei. Podem ser tradicionais, de chocolate, ou com fios de ovos, mas há uma coisa que todos têm em comum: são deliciosos!

Além de Campo de Ourique, pode encontrar os famosos Pastéis de Nata da Aloma e o Bolo-Rei no Bairro Alto e em Arroios.